quarta-feira, 21 de outubro de 2015

K

anoiteceste


Anoiteceste,
as tuas mãos
enlaçaram os restos do meio-dia,
no teu colo
aninhaste a brisa do Outono,
nos teus cabelos soltos,
no seu roçagar cálido,
embalaste a areia,
a beira-mar.
Voltaste a sorrir ao Sol,
o mar ajeitou as ondas
numa espuma alegre,
contudo dissolvendo uma tristeza
sem dor, sem queixa,
prostração acre, doce.
Pelos teus olhos corre uma luz mortiça,
hasteando as velas numa chegada mansa,
o mar
meigamente
depositando-te,
na ternura de um dossel amoroso.

(imagem do autor obtida com telemóvel:
praia fluvial algures na Beira)

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

K

Outono, opus 2

As árvores vão-se fechando, o ar amolece, há um sabor a adeus e, nas janelas poeirentas do Verão, há um levíssimo travo a Natal.

(imagem do autor: Caramulinho, num Outono, imediatamente antes das mãos criminosas que trouxeram o fogo e a morte)

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sábado, 10 de outubro de 2015

K

antes
















Antes que a vida vire futuro
e o presente já não seja uma prenda.
Antes que o sol se ponha
e as mulheres esqueçam o dar à luz.
Antes que tudo seja já passado,
antes que o teu sorriso
já nem seja memória,
antes que as tuas mãos
tenham esquecido
o sabor do meu rosto,
a prática dos afectos
volta-te e beija o poente,
que as flores aninhem
o teu poema
e as tuas mágoas virem nuvens.

(Foto do autor obtida com telemóvel:
Palácio da Pena numa noite de Verão)

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

K

Acenos

Já viste como te acenam os teus olhos?
Já relanceaste os teus olhos pardos
pela espuma que os segue?
Já olhaste e viste o mar,
em ondas seguras?

Prepara a tua bolsa,
o teu sorriso e o passaporte;
hoje o teu corpo viajará, quer o sigas ou não,
e não haverá espuma, ondas seguras ou olhos pardos
que reconciliem o teu coração, as tuas mãos ou a tua boca errante.

No fundo,
embarcarás,
num sonho mascarado
depositar-te-ás toda,
e o teu regresso
não passará de uma memória 
vazia.
(Imagem do autor
obtida com telemóvel:
noite de Verão no Palácio da Pena)


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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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