segunda-feira, 22 de julho de 2013

descendente

Além, nada vislumbro,
a meus pés, 
sombras,
apenas.
O garrote
ainda solto,
as mãos
albergam trevas,
a cabeça,
deixa-se penetrar,
para muito longe.
Faltou-me o pé,
a longilínea forma
da harmonia,
mas a queda 
não é fatal,
os olhos 
nem resvalam,
o alvo queda-se,
mudo,
e a manhã
ergue-se 
na simetria 
dos afagos...




(foto do autor
obtida com telemóvel)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

lança

Enches o peito,
para onde 
te apontas?
Há encostas abertas
pelos seus vales,
há verdes secretos
empalados na angústia
do horizonte:
cabo recortado
em laivos de marés.

Firmaste o pé,
o peito ao léu,
a lança enterrada,
para onde a apontas?
Sabes?
Hoje já não há 
o quadrado,
o pó misturado com sangue,
o anoitecer em vitória
grosseiro nos cânticos
e no beber.

No entanto,
não desprezes
a lança,
ou o peito,
a alegria infantil,
ou a fé simples,
natural,
e também a teimosia
fincando o pé
em terra nossa:
de encostas,
vales e árvores,
e caminhos e veredas,
e gentes
ainda
com um sonho,
um fugaz pertencer,
uma pátria,
uma língua,
indício de alento...

("Acarinha a tua cidade
através dos teus concidadãos,
é no seu desgoverno
que a Polis se revela;
não temas, 
pois alguém 
agarrará com pulso férreo."
Fala de Heródoto a 
Πόρτες,

cidadão tresmalhado)

(fonte da imagem:
http://wiki.worldofgothic.de/Tutorials/Speerwerfer)