segunda-feira, 29 de agosto de 2011

K

ver(-te)

Ontem,
estavas numa hora
de dormência,
em pé,
espreguiçando-te
para as árvores.
Era visível um anel de cabelo,
resumindo-se até à franja.
Os teus dedos esticavam-se,
como se quisessem deixar-te.
A tua figura esguia,
arqueada,
era um instante,
um momento contido,
uma impressão de Degas,
talvez Renoir,
que,
em arco imóvel,
juntou o meu dia de ontem
ao de hoje
em que te revejo.

(fonte da imagem:

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domingo, 21 de agosto de 2011

K

poema fechado

(...)
era um tropel poeirento, cigano
que marcava as curvas solenes
os rastos mais vincados, arcos
de vis medalhas ostensivas na
sua altivez de quem está rindo
do futuro, na ânsia de triunfos
e insígnias de vitória. Oh, céus
de trôpegas, até inesquecíveis
batalhas, em que os recontros
eram trilhados pelos passos e
pelos gritos. Hoje, não há um
só trecho, um só restolhar das
nuvens que testemunharam do
céu-aço que tudo cobria. Essa
era a verdade que corrompia o
sonho dos virtuosos. Porém, o
engano já não campeava, nem
era já lembrado, a paz recobria
tudo e os aldeões caminhavam
cantando, fazendo o pão justo
(...)
(fonte da imagem:
http://aviemet.divitu.com/,
Salvador Dalí: "Céu hiperxiológico")

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

K

cais

No cais,
os soluços da partida;
o navio era uma mancha
de sol pardo e de choro;
os que iam,
de braços férreos
moldados nos varandins,
já nem se algemavam a terra,
os olhos despojados;
os que iam ficando,
num adeus agreste,
cinzento também,
não viravam costas ao mar,
ao rio latejante...
















Caixões em branco feitos água,
uma espera segura de mortes,
presságio secreto 
que o vento transportou 
no regresso da manhã...

(fonte da imagem:
http://www.123rf.com/)

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

K

hoje

Falaste-me, hoje,
do tempo das cerejas,
dos lampejos de sol,
gritando por entre as nuvens;
daquela luz,
inveja da aurora
e da brisa,
sopro divino entre os ramos.
Falaste-me das esperas,
do círculo feito pelas palavras
enquanto bailavam,
como insectos na luz;
encandeavam-se na certeza
de um poema,
soletrando marcas de água
baptizadas no santo lume.
Sim,
falaste-me do tempo das cerejas
e o céu voltou a lembrar-se
do quanto fora azul
no esforço,
e no descuido
da busca sôfrega do arco-íris

(fonte da imagem:

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sábado, 6 de agosto de 2011

K

longe

Folheio a Vida
e desfolho a Morte:
é um contratempo 
que desorienta a minha rota:
se o mar abraça a terra,
num júbilo de rendas brancas,
por que não irão estas duas,
qual alfa e ómega,
entrelaçar-se no perfeito infinito?
Como uma cobra
mordendo a própria cauda,
assim Vida e Morte,
num abraço glacial,
mas incandescente,
tornariam o princípio e o fim,
as faces de um mesmo cêntimo,
as virtudes de um só plano...


(fonte da imagem:
http://galeriasdearteemportugal.blogspot.com/)

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

K

(caos)^0

É na Matemática,
na ciência incerta,
que forjo os meus dias.
Busco ostensivamente,
talvez,
as rectas que intersectarão
os meus planos mais arrebatados;
nas suas tábuas procuro
as exponenciais dos meus voos;
formulo equações
de espirais e buscas contínuas;
é no cálculo das probabilidades
que procuro as sortes que me escapam.
Senos e co-senos
definem humores quase impraticáveis.
Ainda há funções
de que me agrado 
e em que coloco as minhas variáveis.
E a minha vida desliza,
qual traneira,
em busca de uma onda,
em jeito de
parabolóide hiperbólico...

(imagem retirada da net:

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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