terça-feira, 31 de agosto de 2010

K

queda VIII

As minhas mãos já esqueceram os caminhos
e o regresso fez-se ponte;
houve, talvez, uma só manhã,
um dia real no fragor do tempo;
mas as minhas mãos continuam esquecidas
e o poema não se fez,
nem nas vagas tardes
em que o Sol escalava o poente,
funâmbulo de si mesmo,
gesto seu
de riso vadio.

(foto do autor obtida com telemóvel: praia de S. Pedro de Moel)

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sábado, 21 de agosto de 2010

K

palavras

Se as minhas mãos debulharem as palavras,
espera pelo Outono,
pelos rastos, restos das folhagens,
rojando-se pela terra dormente no seu sonho cavo.
Chegará, então, o tempo da sementeira,
e, logo por entre as papoilas,
as minhas renovadas mãos debulharão
as novas palavras
que os ventos, os pássaros, os arco-íris, as nuvens,
hão-de derramar
- pelas bocas ávidas:
nos campos
de concentração da vergonha;
- pelas bocas ávidas:
das fomes gritadas
nas ruas "cosmopolitas";
- pelas bocas ávidas: 
dos atropelados-desprezados
da "Sociedade".

Na fúria da paisagem rasgada de poentes,
ecoando ao longe o brincar dos meninos,
as minhas pobres mãos
agarram e urdem 
as últimas estrofes,
os últimos andamentos
de um hino-marcha
que arrasta consigo o pó
de quem se não quis vencido.

(fonte da imagem:



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sábado, 14 de agosto de 2010

K

on?

E então fartaram-se dos punhos,
e das armas mortas,
e dos gritos despegados,
e dos corpos repelindo-se;
fartaram-se do sangue à mesa,
e da imprecação lívida,
e do punho em falso,
e do grito false(t)ado;

Simultâneos:
o gesto e o off
(sem voz)
(fonte da imagem:
http://www.chrisbarrios.com/)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue! Sopro Divino

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