sábado, 17 de abril de 2010

a cruz de Torquemada





Mordeste todas as palavras,
todas as letras.

Teus olhos vertiam gáveas,
pousavam sobre todas as ravinas,
acima dos poços mendicantes.
O teu anel sorriu-te
num brilho vasto, demolidor:
tudo sabia e saberá:
executará a tua mão crua,
gelada,
conforme o seu querer.
Sim,
em cada gesto
o temor,
em cada palavra
a ansiedade;
e o teu anel brilhando,
dolente, sedutor,
marca as tuas horas rapaces,
oh santo Inquisidor!

1 comentário:

maré disse...

será um pulso escravizado
algum dia, um ditador?

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beijo Jaime, sereno.