sábado, 14 de abril de 2018

Crepúsculo 

Anoitece.
É no teu colo
que as minhas mãos 
se entrelaçam,
rodeiam a cabeça,
como deve ser
restos de caos
restos de mim.

terça-feira, 10 de abril de 2018

sim, louco

Nunca percebera se era louco, no deixar na patologia quase esquecidas talvez, extramuros. Perdia-se entre paredes, escadas e, naturalmente no meio do jardim, ele que sempre fora um rapaz de cidade; 
há quanto tempo se banira e voltara, caminho de forças.
Não tenha medo da minha loucura: já me perdi dela, já a tentei afugentar, só  em extramuros...
Resultado de imagem para crazy


(Fonte da imagem:
https://m.facebook.com/crazyhorseparis/?__tn__=%2As-R

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Torre

Resultado de imagem para torre chapinhar
Freixos,
caminhos
à beira água.
Uma torre ensimesmada,
um gavião,
peito aberto,
lançadas as asas,
rasias ao coração,
enquanto chapinham,

pela tarde fora,
num entardecer de espuma.

(https://i2.wp.com/cruzilhadas.pt/wp-content/uploads/2016/06/Lagoa-Comprida-1.jpg?resize=710%2C340


sexta-feira, 16 de março de 2018

vida

E é no coração do vento,
nessas tuas mãos,
que o corpo se esvai,
numa rendição precoce,
desabotoando o meu sorriso;
é, pois, um jugo, uma quase
vitória,
um quase caminho
de retaguarda,
e é da varanda
que passo os olhos 
pela estrada,
num semi agreste 
sorriso,
alfa e ómega
duma vida
que se quer mulher.

(foto do autor 
obtida com telemóvel)

quinta-feira, 8 de março de 2018

pintura

Resultado de imagem para almoço sobre a relva - edouard manet
Desfolho o teu livro,
as páginas derramam-se
na razão directa
de um tempo
brumoso,
entre raios de chuva.
Há no teu livro desfolhado,
no teu colo 
de terça à tarde,
um zumbido,
numa alva toalha,
que lembra
outros piqueniques,
com migalhas sobre a relva,
pedaços de pão
que o tempo esboroou.

(fonte da imagem:
http://pintura.blogs.sapo.pt/almoco-na-relva-edouard-manet-3268)

quinta-feira, 1 de março de 2018

férreo ferrete

Já te peguei,
na minha cabeça,
entre quereres,
entre portas
envoltas em pó,
encontrei-te:
velho carimbo,
estampa, 
gravura;

timbraste-me,
levaste-me à
insanidade
da férrea lembrança,
(férreas águas 
da mal-saúde),
marcaste os meus dias
e ferraste-me;
Ferro de marcar gado

garanhão 
das terras inóspitas
não tem dono,
nem paga tributo;
apenas responde 
ao tribunal da insónia,
da corte marcial
da extinção.

(ou julgas, ferrete,
que um galopar louco,
entre insanos crepúsculos,
me leva a consentir o cabresto?)

(fonte da imagem:
http://ruralcentro.uol.com.br/noticias/marcacao-de-gado-o-ferrete-e-uma-marca-e-eu-nao-sabia-63492)